«Saio de cabeça erguida» – Ronaldo confirma o adeus à seleção de Portugal
Cristiano Ronaldo, ícone de Portugal, anunciou o fim da sua carreira internacional.
Cristiano Ronaldo, ícone de Portugal, anunciou o fim da sua carreira internacional.
Ronaldo é o melhor marcador e o jogador com mais internacionalizações da história do futebol internacional masculino, com 146 golos em 234 jogos desde a estreia por Portugal, em 2003.
Foi o capitão de Portugal na conquista do primeiro grande troféu da história do país, no Euro 2016, com Éder a marcar o golo da vitória na final frente à anfitriã França, depois de Ronaldo ter saído lesionado, e levantou ainda o troféu da Liga das Nações em duas ocasiões, em 2019 e 2025.
Ronaldo ponderou deixar a Seleção após a eliminação nos oitavos de final do Mundial deste ano, mas acabou convencido a continuar pela FPF (Federação Portuguesa de Futebol).
No entanto, Ronaldo abandonou depois de forma abrupta o estágio da equipa durante a última paragem para compromissos internacionais, acusando o novo selecionador, Jorge Jesus, de ter quebrado a sua confiança, depois de ter ficado no banco durante toda a vitória sobre a Noruega, para a Liga das Nações.
Ronaldo, que acusou também Jesus de não ter lido uma série de pontos previamente acordados sobre a decisão de o deixar no banco, foi posteriormente suspenso por 30 dias pela FPF, a 19 de outubro.
O cinco vezes vencedor da Bola de Ouro anunciou a decisão num emotivo vídeo publicado no Instagram na quinta-feira (5 de novembro), dias antes de a Seleção defrontar a Dinamarca e o País de Gales, para a Liga das Nações, a 14 e 17 de novembro.
Ronaldo afirmou: «Chegou o momento de devolver a camisola número sete da nossa seleção.
«Nunca senti que me pertencesse só a mim, mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de a levar comigo para estádios de todo o mundo. Hoje, chegou o momento de a passar ao futuro.
«Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam só com a cabeça, tomam-se também com o coração. Uma caminhada que começou em agosto de 2003 e que mudou a minha vida para sempre chegou ao fim.
«Cometi erros, sofri, houve momentos em que não consegui dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam. Mas nunca desisti e, acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho em representar Portugal.
«Se alguma vez vos fiz felizes, se um dos meus golos vos fez abraçar alguém ou sentir orgulho no nosso país, então tudo valeu a pena.
«Saio de cabeça erguida, orgulhoso do caminho que percorri e de saber que dei tudo o que tinha por Portugal. Nunca deixarei de ser um de vós.
«Passei a vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje, aprendo que a minha maior conquista foi ter merecido a honra de representar o melhor país do mundo.»
Ronaldo despede-se como o único jogador a ter marcado pelo menos 10 golos tanto no Mundial (11) como no Campeonato da Europa (14), sendo este último número um recorde da competição.
Este ano, tornou-se o primeiro jogador a marcar em seis edições diferentes do Mundial, ao bisar numa vitória sobre o Usbequistão na fase de grupos, sendo também o jogador mais velho a participar num jogo da fase a eliminar de um Mundial, aos 41 anos.
No entanto, nenhum dos golos de Ronaldo em Mundiais surgiu na fase a eliminar, e ficou também célebre a sua passagem ao banco por decisão de Fernando Santos durante a edição de 2022, conquistada pelo seu grande rival Lionel Messi e pela Argentina.
O adeus de Ronaldo à seleção surge menos de um mês depois de Messi ter feito o último jogo pela Albiceleste, despedindo-se numa vitória por 3-0 sobre o Benim.